Challenge Lisboa 2019

Novo regresso à prova onde me estreei no triatlo em 2016 e que tenho mantido no calendário. À quarta foi de vez. Mais ou menos… 🙂

Red Rocket racked

Um nascer do sol espectacular – ex-libris – esperava os atletas na T1.

Aquele amanhecer (TM)

Assim que cheguei à transição enchi o reservatório de água – um XLab entre os extensores. Num segundo olhar, o reservatório rachado escorria água sobre o pneu, sem parar.

Dei um tempo e concentrei-me no resto das coisas mas depois, com a poça a aumentar, tive que me render às evidências: hora de improviso, tirar a caixa de ferramentas e acessórios em formato de bidon do suporte traseiro e libertar esse espaço para levar a água que deixei de poder levar à frente.

Entre o que ficou para trás, ainda tive clarividência para pensar: “nunca furaste em prova, mas não vá o diabo tecê-las…”, venha a fita de electricista e vai uma latinha de reparador Vittoria colada ao espigão. E foi.

A natação correu bem, muito fruto da regularidade com que fiz aulas durante o ano, com foco na técnica, e de muito levar na cabeça (obrigado Joana!). A alongar mais a braçada, calmo e sem puxar demasiado, fui fazendo o caminho e quando saí da rampa e até tive que olhar duas vezes para os 36 minutos que o relógio marcava! Realmente não vale a pena lutar com a água se o mínimo de técnica não está lá.

https://www.strava.com/activities/2378557178

Um hello ao Tiago Costa, que se trocava na cadeira da frente, e saída na bike num percurso já bastante familiar. Primeira volta com início rápido mas a entrar rapidamente em ritmo de cruzeiro para não provocar o joelho demasiado cedo.

1st lap done!

No fim da primeira volta percebi que levava pouco ar no pneu traseiro e parei na tenda para subir uns 10 PSIs. Não sabia, mas havia de lá voltar.

Início da segunda volta mais rápido para compensar a paragem, subida para a via rápida e foquei-me em entrar no ritmo.

Uns 5K dentro da volta seguia em coluna, a ultrapassar, e numa zona que normalmente não é mais que uma plantação de bidons, a última coisa que vi foi um triângulo de sinalização a ondular ao vento já com a base um palmo dentro da estrada…

BAAAMMM!!

No preciso momento em que ia a passar, o sinal flecte o suficiente para lhe acertar na ponta e, manobra de instinto para não ir ao alcatrão, colocar peso na roda da frente… com aterragem directa na verdadeira cratera em que se tornou o alcatrão junto à junta de expansão que o sinal pretendia sinalizar.

Aro no chão, directo, e eu a ver a prova por um canudo.

Ainda com a adrenalina de “por um danoninho” não me ter esbardalhado forte, saltei da bicicleta e avaliei as minhas hipóteses enquanto dava voltas à fita de electricista que envolvia o spray: estava quase a meio caminho mas sem suporte em Sta. Iria; apoio móvel que eu soubesse era nulo… ou reparava isto, ou voltava.

Spray Vittoria para dentro do tubular, enchia e esvaziava logo. Zero cortes à vista, não saía nada que se visse, mais spray, nada. Palavrões. Também nada. Atirei com a lata de raiva (estúpido!), ressaltou e lá foi ela. Quando percebi que não podia ir buscá-la – como obviamente tinha que ter ido – ainda dei mais uns amassos no rail.

Desliguei finalmente o modo Grunho, e pensei: “Está escrito: não treinaste nada, joelho a apitar, uma natação acima das expectativas… não mexe mais. Está bom para treino, arrumas a trouxa e fechas a loja mais cedo”. Se havia contexto em que fazia (algum) sentido não terminar uma prova, era este.

Nisto, pára uma mota da organização com uma senhora que me pergunta se vou desistir. Obviamente a minha preocupação não era saltar para essa conclusão, queria saber que opções tinha, uma solução.

Confirmei que não havia assistência em Sta. Iria e que o único sítio era no início da volta. Não deu para esclarecer muito mais porque me atirou logo um “isso nem vale a pena pensar porque tem o cut-off e não vai dar”, “mas porque é que não vai dar?? não há outra solução! posso tentar, não?”, “não, há o cut-off e não vai correr isto para trás, não dá”

“Não vou!?!!”

Foi com isto que nos despedimos em termos pouco amigáveis e desatei a correr por ali fora de volta ao início, que pelas minhas contas estava a uns 5K.

Os pés sofriam, o joelho calado a adrenalina e entre esgares ainda me ri com este novo segmento de corrida em sapatos de ciclismo de estrada (já agora, recomendo vivamente cleats Shimano SPD, dão 15-0 nos Look Keo).

Ainda me cruzei com umas caras conhecidas, ouvi algumas palavras de apoio, devolvi uns “bora lá!!!” e ainda tentei na descida do acesso à via rápida (agora no sentido contrário) rolar um bocadinho com o tubular vazio mas era impossível… só mesmo para destruir o aro.

Corrida, trote, corrida e, por cima da relva na rotunda, lembrei-me de ver um vídeo há uns anos de um pro que aqui nesta mesma prova fez o caminho para trás a correr, coisa que não é nada comum a esse nível e que por isso teve destaque na altura e me chamou a atenção. Lembro-me de pensar: “obviamente era isto que faria”. E era o que estava a fazer.

Avenida D. João II que nunca mais terminava e, finalmente chegado à tenda azul da Bikefix, avisaram-me que não tinham rodas para trocar, na melhor das hipóteses só na wheel zone. “Porreiro. Onde é que isso fica? É descer?” E lá fui eu.

Só que ao chegar à placa que dizia “wheel zone” apercebi-me da triste realidade dos factos… é feita a pensar nos federados que lá entregam rodas para trocar durante a prova (e.g. lenticulares)…

Um à parte… na maioria das provas de ciclismo que custam 1/4 do valor de entrada ou menos há suporte neutro de uma marca qualquer. Passou-me pela cabeça nesse momento o preço que paguei e larguei uns impropérios… fiquei apeado por má gestão do percurso pela organização, fiz a minha parte e a solução é: vai para casa. Not right.

Mas ainda não queria ir. Subi para a tenda de novo e contei com a paciência interminável do duo incrível que lá estava, dividida entre mim e outro atleta. Tentámos de tudo, Tufo Extreme às carradas, arames para desentupir a válvula, desenroscar o extensor da válvula, mais arames, mais líquido, encher, não retém o ar, tentar de novo… os minutos iam passando e lembrei-me que tinha colocado o pneu há pouco tempo, já agora com péssimo artesanato da minha parte: “vamos lá arrancar o tubular para trabalhar melhor” e, já com a válvula para fora da circunferência lá insistimos.

A superfície do pneu estava limpa, o líquido não saía por nenhum lado que se visse e tornou-se óbvio que era um mega snake bite interno a babar para dentro do casing do tubular, portanto a roçar o impossível de arranjar.

Ao fim de 25 minutos parei o Garmin em definitivo. Dei um grande obrigado pelo esforço mas já era demasiado esticado. Fizemos o possível, há que saber quando é demais e francamente já havia uma compreensível frustração de quem deu tudo para que voltasse à estrada e não havia meio.

https://www.strava.com/activities/2378557229

Peguei na bike e, ao descer de novo a rampa a pé, já junto da curva, ouvi uma assobiadela. E uma segunda. Olhei à volta e do outro lado da estrada uma cara conhecida fazia-me sinal a apontar para um saco… acendeu-se uma luz cá dentro… ouviu a conversa toda e foi buscar uma roda ao carro! Novo safanão do destino e lá vai ele rua acima!!!

Troca de roda (havia de recolher a minha malograda no fim), ajuste nos travões (que o aro tinha uma largura diferente), ar e lá vai ele a rasgar alcatrão com a adrenalina no máximo!!

Na prática reiniciei a 2ª volta e fi-la (e à 3ª) mais com o coração do que com a cabeça. Custou arrancar mas dava-me um gozo tremendo estar outra vez a rolar depois de ter coberto aquele caminho a correr no sentido inverso.

Ao finalizar a 3ª volta, na passagem por baixo da ponte, já não via ninguém. Ninguém. Fiz a rotunda e, no acesso à última volta, tinha o cone já a meio caminho e gritam-me que a transição é em frente. Grito de volta que estou a começar a última volta, começam a argumentar e não parei para explicar – estava dentro do cut-off e estava-me a custar a pele.

Avenida D. João II fora na talega pela última vez e, a entrar no acesso à via rápida, uma mota da polícia que ia em sentido contrário a fechar o segmento (pensavam eles) deu a volta e veio atrás de mim do lado contrário do separador.

Não sabia se me ria ou os mandava a outra parte quando me gritaram que estava a decorrer uma prova e que não podia estar ali… apontei só para o dorsal e levei um par de minutos a convencê-los, sempre em andamento (eu junto ao separador e eles em sentido contrário, do outro lado), que era eu o último, e que se me deram como DNF enganaram-se.

“Meus caros, já fiz isto até aqui a correr hoje… é bom que o timing mat estivesse ainda em Sta. Iria para controlar a volta, não o deixem desmontar!”

Fui bastante persuasivo, foram impecáveis dadas as circunstâncias – a responsabilidade não era deles polícias mas sim da organização – e lá aceleraram de volta a Santa Iria onde, realmente, ainda me esperava o controlo de tempos.

O pessoal que lá estava devia ter ouvido partes da história em telefone avariado e, meio confusos meio divertidos, lá me incentivaram enquanto metia o prato grande e carreto pequeno rumo à última descida grande do dia.

Fim de volta na velocidade que consegui meter mas aqui já não havia brincadeiras possíveis… cada vez que me levantava para umas pedaladas mais fundas as coxas trancavam e caía no selim. No miracles.

Fechei a volta e entrei na transição todo torto, mas muito feliz por fazer o cut-off.

https://www.strava.com/activities/2378560267

Último a entrar na corrida, 1 volta de desvantagem no início da meia-maratona e passei a ter dois objetivos:

1) um irracional “terminas no matter what“, porque apesar de ter planeado não levar a prova até ao fim caso o joelho piorasse e estragar as próximas provas, o esforço que fiz(emos) para acabar a bike merecia que terminasse e

2) já agora, que não seja em último… mas, se for, que seja o primeiro dos gajos que furaram feio!

Depois de arrancar a mancar, encontrei a ginga certa e fiz as duas primeiras voltas no ritmo possível. A partir daí não teve grande história, foi mesmo penar, ver caras conhecidas, trocar incentivos e, a custo, ainda passei uma meia dúzia antes de cruzar finalmente a meta em 7h 13m.

https://www.strava.com/activities/2378560257

Tirando o tempo que perdi directamente com o furo, as paragens, o regresso a correr, assistência, voltar a fazer a volta até onde ia, tudo somado, o meu teste que vinha fazer, apontava para umas 5h 45m. Não é um bom tempo, mas o que levei em experiência e ganas tornou este numa das provas que mais bem me soube. Esta valeu!

Um dia talvez tenha um DNF. Este não foi o dia.

Last but not least, aqui fica mais um obrigado às máquinas que ajudaram a tornar isto possível – valeu Bikefix!!

N2 – Chaves-Faro

Nem todas as aventuras começam no Facebook Messenger.

Dia 14 de setembro de 2018, uma notificação dispara: “Já fizeste a Estrada Nacional 2 de bike? Desde a nossa aventura no Chase the Sun que a tenho em mente mas ainda não se concretizou porque não arranjei ninguém com vontade real de o fazer.”

A N2… a N2.

“Concebida como ligação entre Chaves e Faro num percurso vertiginoso pela espinha dorsal do país sendo a sua EN mais extensa, a única que o atravessa de lés a lés, e a maior da Europa.”

Já estava em gestação há bastante tempo na bucket-list e agora tinha a oportunidade de se tornar realidade em resposta ao desafio do João Romão… tinha chegado a hora!

Não era a altura perfeita, mas quase nunca é. Porque sim?? Porque não?! Há já algum tempo que a resposta cai mais na segunda opção. Não estava tão recuperado quanto queria do Norseman mas não havia de ser a grande ritmo e ainda tinha algum tempo para me preparar. Atravessei-me logo nessa conversa e… vamos a isto.
Apontámos para o feriado de 1 de Novembro para aproveitar a ponte e chegámos a acordo para uma duração de 3 dias devido a compromissos de vária ordem. Decidimos então uma abordagem Norte, Centro e Sul:

  1. Chaves – Sta. Comba Dão
  2. Sta. Comba Dão – Montargil
  3. Montargil – Faro

O passo seguinte foi decidir como chegar à linha de partida. Considerámos carro alugado, boleia, até turbo-hélice! Levar tudo para cima e desfazer-nos de tudo o que não é essencial não seria tarefa fácil, ainda mais com um de nós a partir do Algarve e outro de Lisboa. Tudo pesado, e já tendo em conta o feriado de dia 1 de Novembro e a greve da CP, acabámos por decidir pela Rodonorte.
Nas semanas seguintes tratámos da logística dos equipamentos, para a qual aproveitei alguma da experiência ganha na travessia da N4.

Ficam desde já as lessons learned: faltaram sapatos/chinelos + calções/calças “à civil”, Voltaren, pilhas para extra luz traseira e forma de ligar x2 mini USB. E continuo com os cleats enguiçados… desta vez trouxe capas para andar para os Shimano… mas tinha uns Look! Outras otimizações? Claro… em bikepacking qualquer espaço é premium, por isso tanto o boião de chamois creme como a garrafa com comprimidos de cafeína podem ser muito mais reduzidos face às utilizações previstas.

Chegámos ao esperado dia 31 de Outubro e dirigimo-nos ao ponto de partida, na Gare do Oriente. Depois de um almoço rápido lá arrancámos e correu bem, com boa vontade por parte do motorista mas que não chegava a todas… eram as nossas meninas e tinham que chegar impecáveis para o arraial de porrada que se avizinhava.

Assim, em todas as paragens em que se abriam as portas do porão de carga do lado esquerdo, lá descíamos para acompanhar e “ajudar” os restantes passageiros nas cargas e descargas. Por incrível que pareça tive que explicar acaloradamente a um freguês porque é que não podia pôr uma mala enorme e pesada em cima do saco com as rodas. Parecia que os kilómetros quadrados de espaço ao lado não chegavam… mas chegaram.
Ah horas foram acumulando, e depois de uma grande sesta as terras iam passando… Coimbra, Viseu, Vila Real, Vidago. Chaves. Chaves!!! Bora!
A pé, com os sacos às costas até ao Forte de S. Francisco, passando pela feira medieval que decorria.

Um belo jantar regional fechou a noite e depois dos últimos preparativos carregámos pela última vez as baterias antes de arrancar.

Dia 1

Depois de um pequeno almoço robusto, o saco da bike ficou na recepção e iria ser levantado pelo impecável Carlos Daniel, que conheci no Grupo de Boleias Chaves-Lisboa e fez o favor de a devolver em Lisboa uns dias mais tarde (mais uma vez obrigado!).

Depois da foto da praxe, navegámos até ao ponto de partida, não sem antes passar pelos Bombeiros para o simbólico carimbo no Passaporte.

E daquele ponto nortíssimo arrancavam um Alentejano e um Algarvio numa volta de 3 dias algo improvável nesta altura do ano.

Partimos em modo rolante para aquecer e, tendo em conta que o joelho começou a apitar aos 20K, deu logo para perceber que as próximas horas iam ser um lindo serviço… e foram.

Seguir o traçado na N2 foi globalmente fácil, embora a sinalização teimasse em não aparecer em alguns pontos. Fomos passando diversas localidades numa sucessão de curvas e contra-curvas, muitas vezes com mudanças acentuadas de nível e sempre com o testemunho à monumental tenacidade nortenha que, vencendo montes e montanhas, lá instala os socalcos e cria um cenário tão útil quanto deslumbrante.

Lindíssima a descida até à Régua, com passagem na ponte que me trouxe imagens do Douro Granfondo.

Aqui foi altura de por à prova o material numa subida penosa até Lamego.
Não raras vezes pensei em parar, o corpo mandava ter juízo, mas já me tinha comprometido e em boa verdade não é necessariamente a melhor opção. Estava a quente, mudava a posição e lá ia “espremendo” mais um bocadinho.

Tinha esgotado o meu léxico de asneiras (que, atenção, é relativamente vasto!) quando finalmente o piso nivelou e, após uma falsa paragem (não tinha bifanas!), aterrámos no café Maia em Viseu, onde comemos um par de bifanas regadas a Cola.

Depois de arrefecer percebi que dali não conseguiria sair nas condições em que cheguei, o que nos levou a tactear pela cidade por uma farmácia de serviço onde uma caixinha de Voltaren Rapid ganhou lugar na bolsa do quadro – e um cantinho no meu coração.

A partir daí foi a continuação do suffer-fest até Viseu, um bocado a jogar ao “onde é que cola a descrição que nos fizeram de uma ou outra subida pior”:

“Será esta?”

“Não, o tipo disse que eram uns 700m”

“Ui, esta é que é!”

“Não, era depois de uma ponte”

E de ilusão em desilusão íamos carregando o altímetro, cujo acumulado não reflecte as vezes que descíamos – e bem! – e que me davam tanto gozo por levar um peso combinado de 110Kg e uma parvoeira natural na cabeça por traçar parábolas à Mick Doohan.

Após Castro D’Aire, as horas passaram rumo a Viseu, onde parámos numa bomba de gasolina para abastecer. Diga-se que foi neste posto de abastecimento que, num rasgo de rara iluminação, adquiri um pacote de Ruffles de Presunto, cujos efeitos recuperadores já conhecia da travessia da N4 (é só trocar Alandroal por Viseu). O João não estava muito convencido e torceu o nariz… primeiro estranha-se, depois não queremos outra coisa. Guardado o pacote já encetado, bem dobrado para conservar a frescura e aí vão eles.

Andámos um pouco aos papéis à procura do melhor rumo para sair de Viseu e caiu definitivamente a noite quando transitámos para uma estrada cuja entrada era secundaríssima, escura, com o frio a instalar-se, mas compensado pela sensação do “estamos quase lá”. Choveu.

Passámos por Tondela, onde as torres de iluminação assinalavam o estádio daquele clube que parece ter-se instalado na 1ª Liga. Nova estica até Sta. Comba Dão, que atravessámos e, cerca das 20h, estava feita a primeira etapa após 218 km, 3141D+, e quase 10h a fustigar as máquinas.

Stop nos Garmin e, após uma revienga e um pequeno troço de IP3, voltámos à esquerda para encontrar o alojamento nas Casas Vale Martinho. O dono, muito simpático, apresentou-nos ao cão e bem perguntou se gostávamos de caril mas, dada a tipologia da nossa viagem, com muita pena recusámos 🙂 Acabámos por ter um jantar calmo e nutritivo à lareira, mesmo a tempo de instalar a primeira estação de lavagem e estufa dos equipamentos.

A energia no final do dia não dava para muito mais que tratar da logística, um post simples e um telefonema. Mas o Dia 1 estava feito, fui ao banco de créditos buscar uma ficha para estar em condições de arrancar no dia seguinte e adormeci fundo.

Dia 2

Saída com cuidado para não acordar o cão e, meia dúzia de pedaladas depois, estávamos de volta à N2.

Os primeiros kilómetros são de entrada e saída no IP3, por vezes com recortes improváveis e miseravelmente assinalada. Não merece o estatuto. À atenção dos responsáveis da associação N2 nestes municípios: já que tem tanto corta e cola relativamente ao traçado original, comido pelo IP3, pelo menos que se inclua sinalização e marcações de qualidade.

Passámos pouco depois pela Livraria do Mondego e, logo depois de Penacova uma subida de curva bem fechada, extensão média e bem bonita por sinal pôs-nos a suar e entregou-nos a Vila Nova de Poiares.

Levávamos uns 40 km nas pernas quando começou a chover no preciso momento em que passámos em frente a um café. Aproveitámos para meter conversa com a senhora sobre o percurso que se seguia e reabastecer. Subida gradual seguida de descida até Góis, e aí sim tivemos a dose do dia.

Como a subida não era suficiente, o tempo fechou, nevoeiro cerrado, chuva gelada e saímos dali com uma molha valente e mais uns metros no saldo, que é como quem diz, “carregados em cartão” 🙂

Descida e entramos numa zona de paisagem ainda bem marcada pelos incêndios. A fome já era muita e com cerca de 80 km e um atraso considerável demos entrada no “clássico” Café da Picha, onde nos deixaram colocar as bicicletas nos arrumos para almoçarmos descansados um saboroso arroz de galinha.

Já de barriga cheia e retemperados, passámos pela Venda da Gaita (coincidência!) e rolámos até Pedrógão, onde fomos premiados com uma belíssima vista a partir da barragem.

Seguiu-se a descida para a Sertã, com a vingança do chinês: nesse dia fui eu a tirar fotos à porta da farmácia e o Romão lá dentro a adquirir estupefacientes… 😉

Subida forte até Vila de Rei, tendo passado a centenas de metros do centro geodésico mas que, dado o avançado da hora, decidimos visitar noutra ocasião. Claro que nos arrependemos.

Arrependimentos não entram à mesa e poucos kilómetros depois nova paragem para café e uma selecção de doces para animar.

A rolar em pleno em descida, a roçar os 70 km/h na companhia temporária de uns camaradas que estavam a treinar, ouvi um som tac tac tac e pouco depois senti uma cacetada no desviador que, para além de quase me atirar à valeta, havia de se revelar quase fatal. Tinha sido o desviador, cujo parafuso limitador se vinha lentamente afrouxando, que saiu demais e foi apanhado em cheio pelo braço da pedaleira. Na altura endireitei o que pude e segui com uma mudança à frente até ao fim do dia, mas o mal estava feito e a factura chegaria mais tarde. Lesson learned: antes de uma empreitada destas, verificar os parafusos todos e Loctite 242 onde necessário.

Ligeira subida para o Sardoal e sempre a descer até Abrantes. A noite caiu à chegada e, já à saída, esperámos uns minutos pela passagem do comboio.

Rolávamos já com cheiros a Alentejo, noite caída, e os kilómetros iam passando. Do nada, no meio da escuridão, surge uma subida daquelas que não lembram a ninguém ao entrar no Alentejo.

Mais kilómetros nas pernas já em modo “por hoje já chega”, com viragem em Pte. de Sôr, e alguma coisa tinha que ser feita. Encostámos à berma e lá saltou da bolsa do guiador o pacote das Ruffles de Presunto para mais uma injeção de sal e calorias pujantes. Mais refeitos, já depois da passagem pelo Aeródromo, lá avistámos o Parque de Campismo da Orbitur em Montargil.

Tínhamos acabado de fazer 222 km, 2762 D+ em cerca de 9h a dar ao pedal. Levantada a chave e montados arraiais no bungalow, voltámos para um jantar no edifício principal. A sobremesa, essa teve que ser Rennie, depois de uma derrota do Clube oficial da dupla com o Moreirense!

Para ajudar, a secagem de roupas foi feita por intermédio de uma nova estufa, muito menos eficaz que a da véspera. O que vale é que só faltava um dia. Um longo dia.

Dia 3

O dia começou a arrumar a tralha e fazer o que podia do desviador que, depois de alguns ajustes, percebi que ficou mesmo torto logo na base de apoio. A noite foi retemperadora o suficiente mas os pobres calções já estavam claramente a acusar o toque. Fosse como fosse era dia de chutar para golo e, depois de arrumar tudo, foi com ganas de fechar a empreitada que fizemos check-out.

Saída do camping com arranque a frio e mandei mensagem ao Daniel Farrica da D’Bike, que simpaticamente devolveu a chamada tentando o mais possível fazer um diagnóstico à distância e ajudar a desatar aquele nó. Um desvio para Évora ainda era fora de mão e na realidade não havia grande coisa a fazer senão tentar endireitar o apoio braze-on à mão. Fiz uma reza aos deuses da Spec e com a cara de lado ainda minorei a coisa. Num quadro de carbono decidi não arriscar tudo e segui agora com a possibilidade de meter a mudança à mão. Já não faltava tudo.

Chegou Mora, com o seu Fluviário, e mais umas pedaladas chegávamos às Brotas. À saída, com uma subida generosa, terá sido uma das 2 ou 3 vezes nestes dias em que subi aos esses para atenuar o desnível.

Passagem no kilómetro 500, no Ciborro, paragem para as fotos da praxe e Coca-colas num café brand a mais e com atitude no atendimento a menos. É o que há. Mas não era tudo…

… grande momento logo a seguir, ao passar na seta para a “Escola de Ski”, que ganhou 15-0 à que dizia “Zoo”, banalizando-a. Senhoras e Senhores, Ciborro em modo muita forte!

O clássico “é já ali” alentejano começou a ganhar lugar nas nossas bojardas e chegámos a Montemor, passagem frente ao hospital onde há um quarto de século passei para visitar o meu Avô Zé, operado ao joelho esquerdo. Mas era à séria: tinha 2 parafusos enormes bem atarrachados naquilo que só podia ser considerada uma operação a roçar o medieval. Para desanuviar o ambiente e convencer os netos que não lhe doía, lá nos pediu para pegarmos com jeitinho nos parafusos de cada lado do joelho para “dar uma volta na mota nova do Avô”… ficou-me.
Deixámos o Castelo para trás e entrámos numa zona com um par de subida mais rijas para a moídela que já levávamos nas pernas… mas o tempo começava a abrir.

Santiago do Escoural, depois a passagem por cima da linha de caminho de ferro que vai direta a Évora. Quando atravessámos as Alcáçovas o céu abriu definitivamente e fomos roda livre alguns minutos, numa ligeira descida muito rolante. Bliss – não sei nem quero saber agora da tradução em português, esta serve-me e encaixa perfeitamente. Na realidade não dá para exprimir. Tem que ser vivido. Talvez pelo cansaço acumulado, o bom tempo, o cheiro do Alentejo, o ar a passar pelo capacete e um sorriso nos lábios, foi este o momento em que a N2 mais me disse.

… as roupas secaram, entrámos numa fase parte-pernas, mas agora com gosto. Com muito gosto!

Chegada lindíssima ao Torrão, numa descida sinuosa até à ponte, sempre com a terra alentejana à vista. Após a subida e com 90 kms nas pernas, era hora de sopas e tentámos primeiro almoçar no Besugo. Não funcionou. Orientação para o cliente profundamente miserável: 1) “bicicleta não entra” 2) Só serviam refeições na sala interior, nem na exterior nem na esplanada. O quê? Levarmos nós a comida e não termos serviço de mesa? Nada. Postura resolutiva é coisa que não constava do menu. Precisamente o contrário do que encontrámos no Tordo. Estava “fechado” para um almoço, educadamente disseram não serviam mais refeições. Tudo mudou quando atirei que estávamos no 3º dia da N2… e o objetivo era terminar o dia em Faro. Imediatamente: “o que é que precisam?” e lá foi o nosso anfitrião à cozinha buscar 2 óptimos pregos para cada um, que levámos para o alpendre para junto das nossas montadas, à vista da corda da roupa.

“É já ali”, o caraças! Seguiram-se Ferreira, Ervidel, e depois de umas retas ventosas a perder de vista, veio uma secção em obras onde fui traído pelo à-vontade e até gozo que ganhei em andar a abrir nos pavés de Roubaix e, dei por mim, tinha o aro no chão. Aquele furo para dar cor à etapa: só pode ter havido muito azar, descuido na preparação e alguma azelhice, porque de 4 câmaras de ar, 1 bomba e 2 cartuchos de CO2, salvou-se uma câmara de ar e a bomba a muito custo… e umas orelhas de burro para a próxima verificar o material devidamente! Também faz parte.

Passado Aljustrel e depois de uma visita aos Mosqueteiros para abastecer, fomos nós alvo de uma visita inesperada que deu um boost no moral – a família e um cartaz “FORÇA” encheram o tanque e foram mais que um Voltaren.
Almodôvar – falta de disciplina enorme, mas depois de 3 tentativas para jantar já valia tudo e enchemos a barriga de bacalhau à Brás.

Lá arrancámos por bom alcatrão, a tentar aquecer com 230 km nas pernas, rumo ao início da subida da Serra. “Caldeirão in the Night… hun tss hun tss hun tss“, era a nossa piada que já vinha há muitas dezenas de kms a anunciar-se. Num autêntico cenário de Halloween, o melhor era mesmo o pormenor que o João reparou: a sombra não projetava a nossa imagem no chão, mas sim na parede de neblina que formava um ecrã branco 5 metros à nossa frente. Surreal. Mesmo os cães, uns longe, outros perto e mesmo em pessoa já não faziam mossa ao moral que se instalou nas hostes.

A subida ia sendo comida às colheradas, sempre de olho no altímetro que servia de guia. Não se via praticamente nada e acabava por ser melhor assim. Na primeira vez que vimos algumas luzes e uma vedação, o João anunciou as esperadas antenas mas… nada disso. E era essa a beleza de subir vendado: mais metro menos metro, já era francamente irrelevante saber quanto faltava. Faltava e pronto. Estava lá e era para subir, that’s that.

Finalmente atingimos as antenas e parámos 2 ou 3 minutos para comer e ajustar a roupa para a justa recompensa pelos watts que ficaram no Caldeirão. Podia haver um fim de etapa sem acabarmos com o pacote de Ruffles de Presunto que trouxemos de Viseu? Poder podia, mas não era a mesma coisa! 🙂

Descida bem gelada, molhados q.b. do esforço da subida, da cacimba e alguns choviscos, era altura de ganhar velocidade. Não tendo que pedalar por alguns segundos, lembro-me de fazer as curvas sentado nas posições mais “laterais” possível, à motard, de um lado e de outro… o recheio dos calções já tinha visto muito can-can! Estávamos em pleno miracle-mode, muita anestesia e olhos nos kilómetros a fazer contas para chegar antes da meia-noite, era parte do acordo implícito ao aceitarmos fazer em 3 dias.

Ao chegar ao Barranco do Velho, o Romão avisou-me a certa altura que ainda faltava uma subida rija. Lá meti o prato pequeno à mão mais uma vez, preparando-me para o amasso. Pois, não. Acabava já ali e valeu-lhe umas gargalhadas valentes. Velhaco.

Descida longa, já com escolta automóvel de um amigo do João, na pista molhada de S. Brás de Alportel, ao que se seguiram os últimos kilómetros no “crono” possível. Até que, já à entrada de Faro, caiu um semáforo que nos quebrou o ritmo… mas deu de volta em bom espírito, quando 2 companheiros com granadas de cevada na mão nos vierem incentivar e, ao saberem que estavamos a terminar a N2, fizeram uma festa “nível final da Champions”. Valeu!
Já dentro de Faro, alargámos para queimar os cartuchos finais e… CHEGÁMOS!!!!

282 km, 2968D+, 11:11h a dar ao pedal, travámos e desmontámos pela última vez no marco entre faixas da Avenida Calouste Gulbenkian em Faro. 

Nestes 3 dias e ao longo dos 738 km passámos por:

Chaves, Vila Nova de Veiga, Vilela do Tâmega, Vilarinho das Paranheiras, Vidago, Oura, Sabroso de Aguiar, Pedras Salgadas, Vila Pouca de Aguiar, Vila Chã, Vilarinho de Samardã, Benagouro, Vila Real, Parada de Cunhos, Cumieira, Sever, Santa Marta de Penaguião, Peso da Régua, Sande, Lamego, Penude, Magueija, Bigorne, Mezio, Moura Morta, Castro Daire, Ribolhos, Carvalhal, Arcas, Póvoa de Calde, Lordosa, Campo, Abraveses, Viseu, Repeses, Vila Chã de Sá, Fail, São Miguel do Outeiro, Sabugosa, Canas de Santa Maria, Tondela, Santa Comba Dão…

… Almaça, Oliveira do Mondego, Penacova, Vila Nova de Poiares, Vila Nova do Ceira, Góis, Esporão, Amieiros, Chã de Alvares, Alvares, Amioso, Fundeiro, Picha, Venda da Gaita, Pedrógão Grande, Pedrógão Pequeno, Sertã, Junceira, Cumeada, Vila de Rei, Sardoal, Alferrarede, Abrantes, Bemposta, Ponte de Sor, Tramaga, Aeródromo de Ponte de Sôr, Montargil…

… Barragem de Montargil, Mora, Ciborro, Montemor-o-Novo, Santiago do Escoural, Alcáçovas, Torrão, Odivelas, Ferreira do Alentejo, Ervidel, Aljustrel, Castro Verde, Rosário, A-dos-Neves, Almodôvar, Dogueno, Ameixial, Barranco do Velho, São Brás de Alportel, Machados, Faro!

Longa aventura! 

Podia ter sido diferente? Podia! 4 dias com bom ritmo e mais paragens ou 5 dias mais relax, a fazer as capelinhas, preferencialmente com bom tempo.
Mas deu um gozo tremendo e para além da experiência velocipédica em si, foi um hino ao companheirismo.

Grande João, com pinta e desempenho de grande rolador, fez-me muitas vezes lembrar o George Hincapie!

Como escrevi num post: “Reboques Romão – de Chaves ao Caldeirão”. Obrigado João, valeu!

Venha a próxima!

Norseman 2018 (part 2) – Race report

continued from Norseman 2018 (part 1) – Preparation & Pre-Race

Race

At 2 o’clock sharp, Blur filled the room with Song 2, an impeccable and energized wake. Breakfast was already prepared and everything worked as planned until we got in the car on the way to Eidfjord. We arrived and parked next to the supermarket, just across the road from the event hotel. On the other side, next to the dock, was the transition, with a clock in countdown for the race – no pressure 🙂 we carried on with bike check-in and placing the equipment bags.

20180804_032154

After nature calls and last preparations at the hotel, the entrance on the ferry was surprisingly quiet and I said goodbye with a very portuguese “até já”.

mde

Inside, the atmosphere was different, a great silence and faces a bit more closed, with many pros in their pre-race rituals. Upstairs, everyone was already seated, but it was definitely too hot for me. I ended up moving, alternating between that cabin and the deck, sitting for a few minutes on the floor to feel the cold but not so long that it felt chilly. I helped to close a couple of suits and put mine on at about 4:40. Outside, one could see the ferry maneuvering and the day breaking. It was glorious.

30038543488_d8e8ce9baf_o

To get used to the temperature, I got showered with the boat hose with water pulled from the fjord, which I let into the suit. Felt good.
At this point the first jumps for the water began and, as I had planned, I approached with the last third of athletes and jumped without hesitation with a feeling of this is it. I dreamed for years with this moment! Endless turbo sessions seeing it and imagining what it would feel like. Despite the minimal temperature shock, I took a few seconds to absorb the adrenaline rush and started swimming the approximately 100 meters until the start, where we were expected by the canoes. The few minutes until everyone arrived were used to look around, delighted with the magnificent scenery and adjust as much as possible to the water temperature.

Swimming

Starter horn, click on the Garmin, and onward we go. Despite some contact, there was a lot of respect among athletes and consideration for everyone’s space. And so we passed among the canoes, who lifted their oars well in the air while they were shaken by that shoal of yellow caps.

43893804331_cf528f5a6b_o

After 7 minutes, already at target pace, I took a blow to the head that left me dizzy and seeing flashes. The knock I’d “taken” had been nothing more than swimming headfirst against a submerged rock about 8 meters from the shore. The kayaks assist with the navigation on the outside and I, too diligently following briefing, followed the margin. All right… except not.

20180804_233033.jpg

After putting my goggles back on, mostly filled with water, I noticed that the contact lens of my left eye twisted and floating, and at that moment the alarm rang and adrenaline took over. After a few seconds to fix the goggles and conform to the idea that the visibility was going to be minimal, I got my hands back in the water.
I was trying to figure out my position, there were 3 or 4 swimmers behind me and a dozen of them over to the left, about 20 meters, in a shoal next to the kayak. After about 30 minutes, I began to navigate myself towards the fire (yes, it’s a very Viking thing!), which, at an announced 4 meters high, would have been about 2 millimeters as seen by me at that time… on the special occasions I raised my head enough to see it. I felt a bit cornered a few minutes later, when I stopped seeing the fire for some time… so long I doubted it was still lit! I felt at that moment that any idea of ​​black t-shirt was gone. Even the white one, I realized, was far from given, this race was not just a matter of pushing. It was about reacting to the rebounds… or going home.
I finally got into a good pace about 400 meters from the corner buoy, which leads us to a 90 degree turn to the left and to the finish immediately after the ferry dock. At one point, a red-bearded swimmer (like me, but Nordic!) swam near me and we went on shoulder to shoulder for quite some time. Then we made the approach to the buoy and began to pull the last 750m, with shoulders already feeling some weight.

DCIM100MEDIADJI_0012.JPG

All in all, poor navigation, I ended up doing 4100 meters instead of the 3800 and closed at 1h 26m with 2:06 min / 100m… even so, the result was clearly better than the display.
As I took the last 150m to kick like a madman and successfully avoid gelatin legs at the end of the 1st segment, still felt quite a relief to come out of the water.

DCIM100MEDIADJI_0022.JPG

Transition very focused, with the help of Andreia, that I found between the water and the bike park. I was less cold than I thought and, through a few monosyllables, we collaborated to equip the bike and the rider.

Bike

Right out of the transition and during the first 10 min I felt heavy legs, and I was thinking that it had been a risky bet to lift my foot in terms of training in the previous 7 days… the possible trade-off between not hurting the knee further and to have good rhythm.
The road was cool and still with a very rolling gradient when the first passages outside the tunnels began, taking the old road by a mirror of water (Eidfjordvatnet), a scenery of such beauty one has to be there to believe.

DCIM100MEDIADJI_0024.JPG

We then proceeded to the 2 km of the tunnel of Måbø, where the different conditions of temperature, humidity and sound placed us in a mining setting – somewhat pleasant and protective – and I went by 2 riders while swinging my headlight by the tunnel walls.

At the exit of the tunnel, at very steep part and with a gear change while in great effort – as one should not do – the chain jumped and lodged between the cassette and the spokes. I had to dismount to put it in place, all while applying a generous layer of dark oil to my the fingers. The story goes that is the main reason cycling shorts are black. Come on, João.

A few times during the race, it flashed in my head what would I be writing in the end, what story would I tell: a DNF? A white t-shirt? The longed-for black? At this stage it was a very hard white. This time with a great admiration – through experience – for those who jump to the water in a race like this. Each one with its difficulties, fears, hazards, weaknesses, strengths, motivations and goals. Each one with an own story. And so, even being quite competitive, I settled into the rhythm thinking of doing the best race my body would allow, keeping close enough to redline but without taking unnecessary risks nor taking a stride larger than my leg. Building a tremendous respect for the remaining teams – athletes and crews – and especially the staff and volunteers of the race: more than 150 fantastic human beings who receive a smile from us in exchange for a level of dedication that matches that of national pride.

I was controlling the effort, not by the legs – which began shouting early – but by the cardio and I kept it around 155 BPM, until passing by Voringfoss and, soon after, by the  Liseth entrance, which felt remotely like “home”. The climb continued and I passed one or the other competitor, finding nothing at 22k – beginning of allowed support – because of the jam caused by the 2 km tunnel, and consequent alternating passage of cars in only one of the lanes that kept Andreia. I kept going up, more briskly and always without looking at the altimetry, and approached the 2 hours I had planned for the 40km/1200m accumulated ascent to Dyranut. I made a quick stop to change the sport bottles and put on the Gabba, because very fast 55km to Geilo and its inhospitable postcard landscapes were next on the menu. Descents allowed me to do what my physique is more suited for: high cadence, big ring and small cog. Arrived in Geilo with 3 and a half hours, took a new stop to exchange sports bottles, gels and bars.

Photo-credit-Agurtxane-Concellon-NXTRI62.jpg

The first climb was a scorcher: leaving winds and realfeel aside for a bit, the temperature on the bike varied between 14 and 28ºC.
Halfway through the 2nd of the 3 central climbs, a little bird asked me if I wanted to know my rank… “you have to go get another 10… you’re currently #173. I sweared. I felt I was doing well but knowing to be so close to the barrier meant I was going to be sucked into the vertigo of giving everything I had… and had not. It meant I had to go into cool head mode and gauging effort while mentally counting those 10. And so I did. In the following climbs, I limited HR to 140-145, already in effort management and to save energy for Imingfjell, the last climb.
In this one, I switched to 135-140 and I let one or two positions go. I had the notion that I would get them back soon judging by the body language of my fellow riders as they completed the switchbacks between different levels of the climb that, at this time of the race, seemed truly endless.

dav

About 5 minutes later, at the plateau, I got my place back while recovering from the climb a felt a boost of confidence. I was racing.

dav

3100 vertical meters behind and about 30 km remained, mostly down and flat, where I planned to drop the hammer should I find the legs. The start of the run would be an unknown, it could literally be everything, but was determined to close and at least make a good impression on the bike.

dav

Downhill began blessed by chilly rain in thick drips, as we entered a dangerous descent and I felt at that moment that the grippy 25mm tires I brought were going to be crucial.
As soon as I saw hesitation from other riders about the rain, slope and tarmac condition I threw myself in to give it everything. Brakes alive but always on the limit, parabolics drawn the best I knew at each elbow and eyes on the cars ahead both ways.
I smiled inside and out, had managed the effort well until the moment and now had a real time trial to put my last chips on the bike.

dav

A slight, continuous descent, rolling, which really suits my characteristics. I felt 100% focused, “in the zone”, a state only briefly interrupted 2 or 3 times due to the queues of support cars that did not always facilitate overtaking.

How bad do you want it?

The wind made itself heard and felt and, depending on the position of the helmet, caused a huge flap of the race number. As I passed other riders, the speed difference was significant, and although I never looked back, I felt they were rapidly losing contact which boosted morale. I smiled again, felt like I was carrying another pair of legs with me, and when I decided to breathe and account for time, I had just done 29 km in 35 minutes – while recovering another 10 positions in the process.

dav

I entered Austbygde, curved right and got my hands back on the brake hoods as the time trial had ended. Almost entering transition 2, I saw a familiar silhouette walking on the curb and shouted, “run Andreia!!!” … seconds later, I braked hard for the dismount line and ran through the grass toward the wooden boxes.
I got rid of the bike clothes and helmet while she was already my side and, with great economy of words (what a patience, Andreia!) I asked for the help I needed and I still got some sunscreen while tying my shoes.
Run started without further delay, still feeling pumped by the end of the bike, and more I got when I was shown the “155” sheet on the way out of the transition – I learned later I was actually 152. After a hard swim, taking off at 210th and recovering 58 positions on the bike, I’d just pulled off one of my best rides ever.

Running

I asked for support every 4 km (it ended up being 3) and took my chance, venturing to enter with 5:00/km in the first 3 km to see how I felt the legs. Almost everything in this segment would be an unknown: besides the very low training volume, the last time (and only!) I ran more than 25 km was in Ironman Barcelona, ​​almost 2 years ago).
At the first overtaking – two runners I saw right from the start of the transition some 200 meters ahead – I thought about how to approach, whether to stay with them or carry on. I went for option b) and, from then on, I always overtook without changing the rhythm. I felt this was the moment of make or break and I was gaining positions slowly but surely.
It is generally good to run with others in sight, it helps to have a reference and an immediate goal. The support teams who parked in front of me and ran out of the cars to take pictures of their athletes made me aware that I kept company 20 or 30 seconds following. A decision I made at the beginning and I managed to keep: never, ever, look back.
The heat helped me get past the 7 km barrier – the distance in which the knee showed up in recent months – as, fortunately, I had my head elsewhere. What I imagined, with the merciless heat under a lively sun, was that the rest of the field should be feeling it harder than I did, being from a generally hot and sunny climate. I overtook about 4 or 5 runners at this stage, some walking, others standing on the grass. The sun was really strong and not even the sponges, floating in a barrel placed by the organization at the side of the road, were able to provide a decent cool down. These were my game-face minutes, this is not Sparta, this is Alentejo (my hometown in southern Portugal) the minutes of “I’d like to have it this way until the end”. Only it was not. The blessed heat lasted less than 10 km and we entered the race phase more prone to mental games and making time pass, always keeping focused in the best possible running technique. It was at this stage that I knew that my knee would let me finish, and I remember smiling for some strides.

sdr

From 20 km, the rhythm gradually and deliberately fell to about 6:30/km as the time approached to see our Adamastor, that in this part of the world goes by the name Gaustatoppen.
During the whole run I was passed by two athletes, and both at the same time. One with a clearly superior rhythm, which I was able to keep in sight for about 15 minutes but always increasing distance and another, Neil Samuelssen, who was going faster but looking more elaborate in his effort. Neil was running some 400 meters in high gear, would pass me and then was walking for about 2 minutes, enough for me to pass him again, just enough to repeat the cycle, something we did 5 or 6 times.
From the start of the race, my internal soundtrack when I needed to focus was mostly my current rank calculations: according to the initial indication I received, at this time I was doing: “147, 147, 147, 147″…
The moment I started to feel like a rubber band stretching, almost losing contact with Neil, was when cramps appeared in the left shin and calf, as a result of my focused effort to force the bio-mechanics more favorable to alleviate the knee pain. I was trying to ignore the alarms playing in my head when I was passed by Andreia on the car and she saw me wearing a different effort mask. Despite her incentives I felt the cracks before the crumbling and could not see how I was going to be able to climb 10% for 7,5 km until the cut-off in that condition. And, at the same time, a deep anguish to have gotten so far within the first 160… only to feel the bird getting away from my hand.

How bad do you want it?

sdr

I thought of mantras, the girls saying “Come on daddy!”, in my Father who would give everything to be there. I felt emotional, I mustered strength. Do not give up, at this time of the race everyone is suffering, no one is laughing at no one.

How bad do you want it?

Several parts started buzzing around body sites that, even with some experience, were still new to me. A strong cramp inside the leg, from the knee to the groin. I remembered what I felt when I broke and had to stretch on the ground at 30 km during Ironman Barcelona. But I also remembered Chris McCormack’s:

When your legs scream stop and your lungs are bursting, that’s the hurt locker. Winners love it in there.

I had the advantage of having my lungs sitting on the couch, but my legs screamed for both of them and I’ve yet to meet such as thing as average pain. Barely holding on and pushing through.

I crossed the bridge to Zombie Hill without slowing down at the check (I later learned that they did not see my number well), sent down a banana and then a couple of minutes  came that, without changing almost anything, changed everything…

Zombie Hill

I looked up to Zombie Hill’s first ramp and saw about five groups of athletes and support crews. Andreia, as we agreed, had left for the 32,5 km to leave the car and perhaps come down a bit. The first thing I noticed was that they all had company. The second was that … they were walking!

Everyone around me was walking, i.e. they were as busted as me to run the next 7,5km at a constant 10% gradient, an activity that at this stage of the race is reserved for semi-gods.

Walking! Did I tell you they were all walking?

It took a few minutes to internalize this concept, nothing is obvious at that time of the race, but I realized during the climb that not only is it exponentially harder to run and, consequently, the possibility of hitting the wall hard, as the difference in speed between running and walking is minimal.
I started to walk the way I could in order to avoid cramps, and shortly afterwards I was literally adopted by Neil’s crew, to whom I owe a big thank you, and whose walking support was an outstanding entertainer with a bluetooth speaker in the backpack included! Some words and mutual cheering, always with swift breathing, and the famous hairpins passed by without relevant changes to the rankings.

At a certain point, near 31 km, we saw Andreia in the distance and shortly afterwards we increased the group. A few minutes later we saw a large and noisy group cheering at the last corner before the cut-off when one of the funniest moments of the race ensued as they started playing nothing less than the mythical Eye of the Tiger, jabs included!

Then came a truly magic moment. It was only short from unimaginable while leaving the fjord water, but I had just made the mountain cut-off.

Passing the 32,5 km gate is a sense of relief and confirmation that we are on the way to the ambitious black t-shirt. Despite this, it ain’t over till it’s over and I have constantly reminded myself and support that black is only at the top.
After 5 km of climbing in easy terrain, the passage to the final stage of the mountain at 37,5 km is marked by the last time cut-off and checkpoint of equipment and physical condition to continue.

sdr

It was one of the moments when I adjusted clothing, placing a baselayer, jacket and hydration vest with the obligatory flashlight, thermal blanket, gloves and mobile phone. A first accessible section of trail with some rocks gave way to trail with rocks and then rocks with rocks, some with sharp edges vs. tarmac running shoes… a long and deep tissue plantar massage. Balanced with fresher and fresher air to take in that felt like a treat to tired lungs.

30037270168_71611b5532_o

The mountain had plenty of people and the screams of encouragement were full and constant … Heija! Heija! Heija! Heija! Heija!
Hikers up and down the mountain, other support crews, volunteers, everyone had a friendly face, offering congratulations and recognition for the effort. In other circumstances it would be an Olympic lap. It was easy to get carried away in the euphoria of the end but no, we were not there yet as long as one could twist a foot or a knee, and in that kind of terrain no shoulders, even with the best goodwill, would be able to assist in completing.

dav

At some points we were dealing with stone and rock climbing, many of them completely bound to the mountain and others offering deceiving support. We kept gaining ground, both horizontally and vertically, and more and more areas were appearing with piles of rocks, some with the Norwegian flag.

2018-08-15 (30).png

And yes, besides rocks there was a stone stairway… in the last 200 meters! And, who knew: the desire to finish was great but, at the same time, becoming aware that was going to end carved a bittersweet, almost nostalgic flavor to the last steps.

2018-08-15 (59).png

Kept going while soaking it in and some moments later irreversibility won, there was nothing to do but cross the finish line and spirit turned to an immense joy in the last meters. I took out the Portuguese flag, climbed the last step and, with arms in the air and a shout of victory, VAAMOOOOOOS!!! (portuguese for COME ON!!!) closed the race with a golden key, stopping the Garmin after 15 hours and 14 minutes.

20180805_102004

Arrival

Andreia came in some seconds later and we held each other for some moments, feeling top of the world… WE DID IT!!dav

There was an enormous sensation of conquest, that everything went as it had to be. It did not seem like a dream, it seemed such a real and great moment, one of the best I’ve ever experienced. I thought of my parents, kids, family, the friends who followed the race so far away, while I allowed myself to go around the finish area and absorb the scenery.

28969911237_01612947f3_o

As promised, they served a wonderful broth with two or three cubes of bacon, which tasted wonderfully and made me feel a bit warmer.

When looking down, one gets an idea of ​​the greatness of the race: a series of lakes looked like puddles, and yet they were themselves more than 1000 meters high.

sdr

I turned on the cell phone and, as it beeped with notifications, the first call went to Teresa and Francisca as I promised them. After managing expectations last time we talked, they could not believe when I told them that daddy had finished at the top of the mountain.

A few more messages and photos, and still decompressing and feeling the cold that settles in the body after stopping a great effort, we entered the shelter to drink a coffee that, once again, tasted like life.

Cold quickly became freeze, time to get off the mountain with the very appreciated help of a funicular train where athletes have a guaranteed ticket.

In the access tunnel it was quite cold and as the capacity is very limited I ended up taking out the thermal blanket. For about 45 minutes we waited for our turn while we talked with a nice French family and his finisher, Rémi.
The train began its descent inside the rock and, a few minutes later, a second train, still in a tunnel but this time horizontal, took us to the exit of the mountain. Then we got a shuttle to the 32,5 km where the car had been parked, proceeded to Rujkan, took a quick shower and landed on one of the heaviest and happiest sleeps of the last few months!

D + 1

The Norwegians are definitely fond of the race: the next day, massive respect from everyone! During breakfast, a family who saw the tattoo I still had on the arm came to know how it had went and congratulate, so did the owner of the hotel, people we met in restaurants, petrol stations, everywhere!
After breakfast, we went to Gaustabliik, to the official hotel of the arrival near the 32,5 km point, for collecting the t-shirts and to take the group photo.

It was really great to review many of the faces met during the days, figure out what came to be their race story and share that ambiance of conquest, satisfaction and camaraderie.

20180805_114902

The remainder of the day was spent returning to Oslo and recovering the over 8000 cal left behind on the previous day. I had never ordered a coffee with a dish of salmon mid-afternoon on a gas station 🙂

For posterity I encarved a fantastic experience, a great race and a huge learning.

A very kind and heartfelt word to the organization and volunteers, and a wish they keep the race as it is: True. Basic. Unique.

20180806_140934.jpg

I welcome the idea of coming back in the future, possibly in the role of support. Who’s in?

 

Norseman 2018 (part 1) – Preparation & Pre-Race

Finally, the race report and a bit more. It became longer than expected… but there would be so much more to write! This is what I want to share from this great experience.

The challenge

Norseman began in 2003 and is the original extreme triathlon. Its course is composed by:

  • 3.8 km swim in the waters of the Eidfjord
  • 180 km bike with 3200m climb including 5 mountain passes
  • 42 km run with 1800m climb, finishing in the top of the Gaustatoppen

This means Ironman distances, but with 5000m of climbing and several seasons of the year included.

Norseman is not a race, it’s an experience

The event has the peculiarity of being unsupported by the organization, that is, participants must bring a team to support them, provide food and drink along the way. The team also has to provide company in the final climb to the mountain, where the dangers inherent to the state of fatigue at the later part of an Ironman distance is coupled with altitude and terrain.

For some time I’ve been watching the videos of each year of the race and I had no doubt that it was a challenge I wanted to have on my path. I set an alarm for November 1st and signed up, immediately starting to prepare the travel checklist, the list of equipment, the types of training I would have to do. 10 days later, 2 days before the expected announcement, calm reigned. I had done my part and only had to wait for the luck.

November 11, 8:14 p.m.

When I received an email notification on my cell phone, I got up suddenly, left the restaurant where I dined, and went into the cold November air to assimilate what had just happened. My Norseman ID had been one of 250 drawn out of 4800 applications to Norseman!!

welcometonorseman.png

Training

I had to make some adjustments to my sports calendar, the main one was the deferral of Ironman Frankfurt to 2019. In addition to the usual events, such as Tróia-Sagres (this year doubled with Alcoutim-Aljezur, a.k.a. Chase the Sun, the following day), Lisbon Half Marathon, Challenge Lisbon Half IM and some Granfondos, this was the year I started to do some MTB events: after the debut in Madrid-Lisbon in 2017 I experimented with triathlon cross at XTerra Portugal, Golegã. I also began the project of doing the so-called 5 Monuments of Cycling – Milan-San Remo, Ronde van Vlaanderen, Paris-Roubaix, Liège-Bastogne-Liége and Giro di Lombardia; I will return to this in another post. In summary, from the moment I received the magic email I did:

  • Tróia-Sagres (Cycling)
  • Chase the Sun (Cycling)
  • Trilhos de Pontével (MTB)
  • Maratona de Ponte de Sôr (MTB)
  • Algarve Granfondo (Cycling)
  • Algarve Bike Challenge (MTB)
  • Lisbon Half-Marathon (Running)
  • Ronde van Vlaanderen (Cycling – Monument)
  • Paris-Roubaix Challenge (Cycling – Monument)
  • Douro Granfondo (Cycling)
  • Challenge Lisboa (Half-Ironman)
  • XTerra Portugal (Cross Triathlon)
  • Skyroads Granfondo Serra da Estrela (Cycling)

Along with turbo training at home, swimming pool and some open water and running, between November 11 and the day of the race I accumulated:

  • 4000 km cycling (170 hours)
  • 358 km run (30 hours)
  • 55 km swimming (20 hours)

Even taking into account a philosophy of training that privileges quality vs. quantity, these are relatively low numbers to prepare an Ironman. However, strength training and increasing attention to recovery made me evolve in this time period and get to the event with a strong all-round aerobic base and a reasonable muscle endurance level.

Due to the return of a knee injury in the last 4 months, I ended up doing a lot less running training than planned. It was a long journey with medical appointments, physical therapy sessions, chiropractic and body reprogramming, custom insoles, anti-inflammatories, kinesio tape and many hours on the net trying to improve knowledge about a chondromalacia patellae, which was a very broad way of saying a screwed-up kneecap. The diagnosis through simple tests and specific run technique corrective exercises turned out to be the factor that allowed me to start the race, after having been often with the towel in hand and looking at the floor to throw it.

At the end of the day, the experience and advice I collected dictated that as a master (in age terms!) and considering the twist of not having accumulated a volume as expected in due time, it was more important to intelligently manage tapering (the gradual reduction of training before a big event) than to try and force volume in the final month. The best thing to do was remain calm and push when and where possible. The last couple of weeks have returned limited but positive tests and the green-ish light was good enough for me.

The trip

It was the first international plane trip for a triathlon race and with a wide variety of equipment for the various possibilities of weather and changes during the race. The packing was more challenging but nothing really new. To get an idea of ​​the logistics for such an adventure:

Swim

  • Wetsuit
  • Neoprene balaclava
  • Swim goggles
  • Swim shorts
  • Neoprene boots
  • Ear plugs
  • Body lube
  • Contact lenses + spares
  • Flip-flops

Bike

  • Bike
  • Tools
  • Pump
  • TT helmet
  • Tri bars
  • Bib shorts
  • Chamois cream
  • Bike Shoes
  • Winter bike socks
  • Waterproof socks (optional)
  • Shoe covers (optional)
  • Toe covers
  • Full gloves
  • Half-finger gloves
  • Winter gloves (optional)
  • Waterproof gloves (optional)
  • Arm warmers (optional)
  • Full convertible jacket windstopper
  • Hi-Vis Gilet
  • Windproof gilet
  • HR Monitor
  • Garmin
  • Sunglasses
  • Bib number holder
  • Bike lights + charger
  • Windstopper neck (optional)

Run

  • Tri-suit
  • Running shoes
  • Calf sleeves
  • Running socks
  • Running cap
  • Running vest
  • Emergency blanket
  • Smartphone
  • Headphones
  • Chargers
  • Powerbank
  • Headlight
  • Flag
  • Sunscreen

Nutrition

  • Sports bottles 700cl
  • Aero bottle (optional)
  • SiS GO powder
  • SiS Recovery powder
  • Si GO gel
  • Prozis energy gel
  • Prozis energy bar
  • Salt tabs
  • Magnesium

On the bike

  • Co2 canisters
  • Spare tubes
  • Chainbreaker
  • Multitool

We arrived Monday night and took advantage of the excellent public transports and accessibility to get everything from the airport to Oslo city center.

20180730_223407

D-4

Oslo was unusually warm and on Tuesday we  took a bike ride around the city with stops in the main parks.

We enjoyed maximum tranquility in the trip while riding, which unfortunately is not something to currently take for granted back home. Coexistence between bicycles and cars is undoubtedly a cultural issue but there are very important steps and actions to make it happen. The protection zones for cyclists ahead of the queues at the traffic lights are a very clear example of this.

20180731_165916

D-3

Wednesday we made the trip from Oslo to just outside Eidfjord, where we found accommodation.

On the way we saw the fantastic scenery between Geilo and the ascent, with incredible plateaus lined with towering sticks to measure the height of snow at the right time of the year and some mirror-like lakes here and there. Some wind gusts also made it possible to foresee what one would find come race day.

20180801_185613

We finally arrived at Liseth Pensjonat, near the Voringfoss area.

dav

In the previous days, Pedro Lima’s last minute injury turned a 2 people support team into a one-woman army by the name of Andreia Estrela. Also, we had to negotiate a downgrade in the accommodation  and the only alternative was a minimum bunk room where, according to the owner, not even a bike would fit … but it did! 🙂

20180801_193959

Mr. Liseth, quite nice and understanding about the challenges of participating in an event like this, did everything to make thing simple(r) and let us use the garage to store the bike box and do the assembly.

We went down to the Eidfjord and saw for the first time the tunnels and climbs that made up the initial part of the bicycle segment.

20180801_200345

It was late afternoon and we went to a hotel near the start to watch The Norseman Story, a session on the genesis of the event and the backstage that gave a much greater significance to these aspects that usually go unnoticed. Norseman is really different.

20180801_201009.jpg

D-2

After breakfast I decided to go back to rest, a scenario that was not planned but which I would repeat the next day… one thing that I do not haggle before races is rest.

Then it was time to assemble the bike, I am getting well versed with the puzzle and less a task on the way. We went down to register in Eidfjord, were able to receive some more indications and signed the banner of the event.

dav

Next we walked by the dock and I took the opportunity to put on the wetsuit and do a short swim of recon and adaptation. It was better than I expected, the water was rather cold but nothing out of this world and I ended up going to the buoy and back.

2018-08-14 (8)

Again in Liseth, we had dinner at the hotel and tried to force myself to bed at around 10 p.m., after a short walk. Unexpectedly or not, sleep was stubborn and it took 2 hours to fall asleep. It was now one day before the race.

D-1

After breakfast we made the final adjustments to the plans and reviewed the contents of the bags for the various moments of the race: before the ferry, ferry, swimming, T1, bike, T2, race, mountain and finish.

20180803_120719

In the afternoon we went to the briefing in a school pavilion, an impressive session feeling everyone’s energy, reviewing past moments of the race and it was, despite all the reading that we have been collecting and assimilating, still quite informative.

dav

Last grocery shopping at the nearby supermarket and bike-check in the car park. We knew that the last few hours before the race would be in autopilot mode and it was just like that: a pasta dinner prepared by the excellent hosts at Liseth followed by a short walk, phone calls and loading the bike box and most of the bags in to the van.

As on the day before, more than 2 hours to fall asleep again, flashes of parts of the race immediately coming to mind and a mental check of what is necessary to have and do in each moment. Every time I checked the phone a lot of encouragement messages… you guys were really there! 🙂 It was past midnight when I last saw the clock and…

continued in Norseman 2018 (part 2) – Race report

The Journey Begins

Thanks for joining me!

I am an amateur cyclist, triathlete and adventure racer from Portugal. Since participating in Norseman I’ve decided to create a blog in english as a way to share my passion for sports and adventure with the great people I meet along the way.

_KOM8422.jpg

Life is too short not to

Welcome aboard!

João Pombinho