
Portugal Divide 2021 – Parte I
Estavamos em fins de Maio 2021 e vinha de uns meses parado a recuperar de uma longa lesão no joelho. Resta dizer que, fora um pequeno teste na N4 e a travessia da N2, foi a primeira “prova” em autonomia multi-dias.

Estavamos em fins de Maio 2021 e vinha de uns meses parado a recuperar de uma longa lesão no joelho. Resta dizer que, fora um pequeno teste na N4 e a travessia da N2, foi a primeira “prova” em autonomia multi-dias.

Depois da Ronde, Roubaix e Liège a próxima paragem no projeto dos 5 Monumentos levava-me a Itália rumo ao mais longo: 300 km cheios de estórias e um traçado peculiar que foi alterado ao longo dos anos para introduzir competitividade mais próximo do final.

E daquele ponto nortíssimo arrancavam um Alentejano e um Algarvio numa volta de 3 dias algo improvável nesta altura do ano.

Em pequeno tinha um mapa das estradas de Portugal inteiro, desdobrável, da Caixa Geral de Depósitos e entretinha-me a pintar a lápis de carvão os troços que ia fazendo, sozinho ou com o meu Pai, nos arredores de Évora. Sempre me fascinou.
Hoje é dia de Estrada Nacional 4, estrada que começa logo no kilómetro 12 devido a incluir no projeto uma ponte nunca construída entre Lisboa e o Montijo.

Regressa à berma, poça, ervas, caraças não se vê nada. Fosga-se, esta correu bem, tive sorte à mistura.
Acelera, berma, vai haver curva, posiciona-te. Gaita!, quero voltar, olho, estou fechado por dentro… pico de adrenalina, vou ao chão?, uso os encaixes dos pedais e faço-a saltar comigo um palmo para o lado depois do outro artista ter passado e menos de um metro antes de eu ficar sem faixa. Ouço o coração nos ouvidos e rio-me como um puto.

Depois de uma experiência inesquecível em primeira mão, o dia seguinte foi viver a corrida dos profissionais a partir da beira da estrada. Chuva molha-parvos, salsichas com todo o tipo de molho e cerveja, muita cerveja. De sonho, portanto.

2018 foi ano de iniciar a incursão ao mundo dos 5 Monumentos, começando com uma viagem à Bélgica que se estenderia ao norte de França. Um modelo que gosto particularmente: 1 semana, 2 provas e roadtrip pelo meio. Neste caso, a Ronde e Roubaix.

Inspirei fundo ao entrar na Casse Deserte, como quem entra para dentro de um cenário épico dos fillmes. Com deferência. De novo flashes de fotos e relatos de subidas épicas de Bartali, Coppi e Louison Bobet entre outros maiores. A bruteza e aridez da paisagem põe a nu, sem paninhos quentes, quem vai a pedalar. Isola-o. Singulariza-o.

Tinha decidido ir fazer a Étape du Tour, que nesse ano passava no Izoard – uma daquelas provas que sempre prometemos um ao outro irmos fazer – e senti que devia levá-las.
Escrevi à Rapha, contei a história sem grande esperança e, após enviar algumas fotos, recebi um e-mail completamente fora no normal nos dias de hoje (…)